Até mais ver: Quando for viajar, mesmo que esqueça suas calças não esqueça o UNO.

domingo, abril 11, 2010

Quando for viajar, mesmo que esqueça suas calças não esqueça o UNO.

Da série coisas que eu achei por aí...


"Para ler esse livro"

     Ler pode ser perigoso. É Schopenhauer que nos adverte. "Quando lemos outra pessoa pensa por nós: só repetimos o seu processo mental. Durante a leitura a nossa cabeça é a apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. Quando eles, finalmente, se retiram, que resta? Daí se segue que aquele que lê muito e quase o dia inteiro, perde, paulatinamente, a capacidade de pensar por conta própria. Esse é o caso de muitos eruditos: leram até ficar estúpidos". (Artur Schopenhauer, Sobre livros e leitura, p.17). Existe, assim, um tipo de leitura que é danosa a nossa capacidade de pensar.

    Quando é que a leitura contribui para o desenvolvimento da inteligência? Quando aquilo que se lê não é o ponto de chegada, mas o ponto de partida.
  
     Ponto de partida para quê?

    Para o nosso próprio ato de pensar. A gente lê os pensamentos dos outros para pensar pensamentos próprios.

     Pela observação das vacas você deve ter notado que elas ruminam vagarosamente o capim que comeram. Só se pode ruminar com tranquilidade. As vacas não se apressam nunca.O leitor tem de ter para com o livro que está lendo a mesma atitude que as avcas têm para com o capim que estão comendo: ruminação...

     Nada mais contrário à inteligência que a chamada "leitura dinâmica". Ler dinamicamente, rapidamente, é o mesmo que amar dinamicamente, rapidamente. Ler tem de ser um ato de amor.


     Ler só para saber o que o autor esta dizendo produz erudição: o texto no livro é transferido para dentro da cabeça. Isso aumenta os arquivos da memória, mas não desenvolve a inteligência. Há muitos idiotas que tem memória perfeita. Muitos eruditos são capazes de discorrer sobre tudo, mas são incapazes de pensar pensamentos próprios.

     Livro é comida.Ler é igual a comer. Leitura boa é aquela que torna a vida mais interessante. É preciso que o livro lido, comido, ruminado, se transforme em partes de nós mesmos. As palavras tem de ser transformadas em sangue. 

     Os pensamentos desse livro não são seus. Se fossem, a leitura seria desnecessária. Porque ler num livro pensamentos já pensados? Pensamentos de outros — provocações a que você pense seus próprios pensamentos. 

    Há um hábito escolar que detesto por ser tedioso e antieducativo: fazer fichamento de livros. O que é "fichar" um livro? É copiar partes do pensamento do autor a guisa de resumo. Mas o ato de copiar é um ato exterior, mecânico. Ele nada diz sobre os pensamentos daquele que está copiando. Cópias podem ser feitas automaticamente, com o pensamento longe...

     Bom seria se o professpr dissesse aos seus alunos: "Leiam esse livro. Ruminem. Depois de ruminar, escrevam os pensamentos que vocês pensaram, provocados pelos pensamentos do autor". Os pensamentos dos outros não substituem os seus próprios pensamentos pensamentos. Somente os seus pensamentos estão vivos em você. Um livro não é para poupár-lhe o trabalho de pensar, É para provocar o seu pensamento. 

     O livro é uma refeição. Ele serve pratos de culinária da educação. Como eu considero a educação a coisa mais importante que há, desejo que esse livro seja lido "ruminantemente". Se isso acontecer, ao final da leitura talvez você experimente a felicidade de estar pensando pensamentos novos , ainda não escritos , pensamentos seus que, quem sabe, contribuirão para que a educação seja melhor do que tem sido.

Rubem Alves
Escritor bacharel, mestre em Teologia,
doutor em filosofia e psicanalista pela 
Associação Brasileira de psicanálise de São Paulo



Até mais ver
mr.poneis

ps.: Listen to the Stereo tonight tonight tonight...

ps2.: Devido a uma certa sequência de eventos, é provável que eu me afaste do blog nesta próxima temporada...

ps3.:








 
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2 Verdades

Paraquedas disse... [responder]

Ausente do blog?

Como assim?!
Em quais posts eu encontrarei conforto espiritual?

Até mais ver
Paraquedas

Pati disse... [responder]

Realmente, de um ponto de vista dialético, a leitura é sempre ponto de partida...
Por essa razão, gostaria que ao lermos essas considerações de tão ilustre autor, elas sejam internalizadas como "ponto de partida" para uma discussão das idéias aí colocadas e afirmadas...
Memória x inteligência...
Ruminação x processo reflexivo...
Hábitos escolares, concepções educacionais...
Tudo isso é importante se considerar e esclarecer antes de se fazer uma crítica que parece ser generalizada...
Cuidado, as palavras tem poder!